14 Março 2012

CF 2012,Medicina Africana: nossas origens


Os Maasai e  os Samburu
Árvores, arbustos e plantas em geral, além de servir como forragem para o gado,  tem muitos outros usos, especialmente o medicinal. Este destino curativo se manifesta na semelhança linguística com a qual os Maasai e  os Samburu  designam os conceitos de árvore e medicina usando a mesma palavra (olchani, pl. Ilkeek).
Algumas plantas são encontradas apenas em áreas montanhosas (isupuki), outras somente em planícies (ilpurkeli). 
Embora as causas da doença nem sempre são conhecidas entre os Maasai e os Samburu, eles sabem que as muitas mudanças ambientais são responsáveis por determinadas doenças. Eles acreditam que as flutuações bruscas no clima podem causar resfriados e febre. Sabem como o mau estado da comida e da  água podem espalhar  doenças. Por exemplo, reconhecem que a malária, (enkojongani), se espalha mais facilmente depois de fortes chuvas, quando os mosquitos são mais numerosos.
Doenças humanas são tratadas com as folhas, raízes e certas espécies de plantas. Raramente usam as raízes de uma árvore de crescimento lento, para garantir a sustentabilidade da planta. No entanto, podem fazer uso de suas folhas. Eles têm uma verdadeira farmácia destinada para cura de dores de cabeça, vermes e outras doenças do estômago, resfriados, doenças venéreas, dores no peito, malária, cortes e contusões, doenças oculares, etc.
As ervas mais utilizadas são a Acácia , conhecida localmente como olkiloriti que age como um antibiótico para o sistema digestivo, bem como excitante. Outros como a olkokola, esumeita, olmugutan, iseketek ou osokonoi,  e leite misturado com água ou sopa. (Esses são os nomes nativos autóctones, não sabemos seus nomes científicos) .Estes medicamentos são tomados com frequência,  simplesmente para manter a boa saúde. Resfriado comum, por exemplo, é tratada com osokonoi, iseketek e lolpurkel de olchani e depende da disponibilidade da erva particular. Para doenças venéreas, pode ser usado olkokola, olmakutukut, olamuriaki e olchani onyokie. Eles removem os vermes estomacais com iseketek olmugutan  misturado com água fervida. 
O tracoma e outras doenças oculares são comuns entre os os Maasai e os Samburu devido à grande quantidade de moscas que o gado transporta. Eles são tratados com a seiva de três tipos de plantas: enkilenyai, olorrondo e osuguroi.
Por muitos anos antes da descoberta do quinino para o tratamento de malária, essas pessoas já estavam usando a seiva de árvores e esumeita oiti como remédios eficazes contra a malária, bem como raízes de árvores olkinyei. Estes três métodos ainda são utilizados quando não têm  outros medicamentos. Mais interessante é o fato de que muito antes da vacina ser introduzida na região, os Samburu, os Masai e os seus jovens já eram imunizados contra o vírus mortal da varicela (entidiyai). Para obter a vacina contra a varíola são feitos arranhões no braço e se esfrega nelas pequenas quantidades de pus de uma pessoa que está morrendo dessa doença.
Eles também têm cirurgiões especialistas tradicionais que aprenderam na prática com animais , como no caso de amputação, de cura de ferimentos graves, etc.






Os HAMAR
Os Hamar, do sul da Etiópia, tem muito mais fé na medicina tradicional que na ocidental e só recorrem aos ferenji Dasha, estrangeiros, para questões menores, como a cloroquina ou pomada. Quando a doença é grave fazem uso da sua própria medicina. Assim, se uma pessoa tem hepatite é aconselhado a inalar o que flui a partir do estômago de um carneiro e beber o suco do estômago. Quando uma criança tem vermes deve ser esfregada com yedanna, a terra que a rodeia e que  está entre as raízes de uma planta. Se uma pessoa fica doente  de repente, com diarreia e febre alta, então ele deve recorrer a um Moara, médico tradicional.

 Esses especialistas,geralmente mulheres, são consultados para todos os tipos de situações anormais, da falta de chuva, a os motivos que impedem uma mulher engravidar. Qualquer um pode experimentar a adivinhação, mas apenas aqueles que recebem uma reputação como koimo, especialista, serão reconhecido como Moara. A forma mais comum de adivinhação praticada por homens é conhecida como "choque de sandália." Um olheiro dungari Kana, batedor de sandálias, normalmente é consultado sobre questões relacionadas com os homens, como a guerra, a caça e o movimento de rebanhos  e de vacas.


Em casos de problemas de saúde, geralmente se consulta a um moarano, um  médico mulher. Ela também é conhecida como saaono ii, aquela que  esfrega o estômago, porque muitas vezes elas chegam ao conhecimento da doença através de massagens  na barriga. Elas esfregam a pessoa doente com banha e os destroços deixados em suas mãos lhe indicam quais são os agentes responsáveis pela doença, e o que deve ser feito para acalmá-los. No caso das mulheres, crianças e homens solteiros, ela esfrega a barriga com manteiga, enquanto no caso dos homens casados, elas esfregam o antebraço.  Os agentes que são considerados responsáveis pelo mau-estar de uma pessoa podem ser vivos ou mortos, parentes ou estranhos. Os policiais mortos são meshi ou fantasmas. Diz-se que um espírito morto pode causar doença em qualquer descendência quando o meshi está com raiva, wocidi. Se o doente acalmar o espírito morto, a doença desaparecerá. Se uma pessoa não melhorar, apesar dos presentes que são feitos, então entende-se que o moarano interpretou de forma errada  ou que existe um outro espírito morto que está com raiva e quer alguma coisa, ou é o barjo, o destino da pessoa doente . Diz-se que a Moara pode ver se  a morte for o destino de uma pessoa doente, mas costumam esconder esta terrível verdade da pessoa. Os espíritos dos mortos raramente causam a morte de uma pessoa, mas ela é finalmente determinada pela barjo da pessoa.  
 
 O Moara e o gùdili podem descobrir que o agente causador da doença não é um espírito morto, mas uma pessoa viva. O c'aaki foi causada por "mau olhado". A pessoa que dá o "mau olhado" será normalmente um estranho que olha para uma pessoa ou propriedade com admiração e inveja. Nestes casos o médico deve identificar o gir, clã, da pessoa que deu o "mau olhado" e prescreve um ritual para purificar a pessoa atingida.

Tradução: CENPAH

13 Março 2012

ENTREVISTA: Haitianos no Brasil.

“A imigração vai continuar fazendo parte da cultura brasileira”, assinala Rutemarque Crispim, pároco de Nossa Senhora das Dores, em Brasileia, no Acre.

A pequena cidade de Brasileia, localizada no Acre, faz divisa com a Bolívia e tem sido o destino inicial de muitos haitianos que migram para o Brasil. Depois de encaminharem a documentação para permanecerem oficialmente no país, eles viajam para outros estados em busca de trabalho e moradia fixa, pois o Acre não tem estrutura para mantê-los durante um longo período. “Lembro que, quando nós começamos a preparar a alimentação deles na cozinha paroquial, ficávamos angustiados porque passávamos um dia inteiro elaborando uma única refeição. Às vezes não tínhamos panelas para cozinhar o feijão. É desumano eles virem para o Brasil e não serem bem acolhidos”, relata Crispim à IHU On-Line, em entrevista concedida por telefone.

Padre Crispim recebe os haitianos desde janeiro de 2011, quando assumiu a Paróquia Nossa Senhora das Dores, e revela que um dos maiores desafios ao trabalhar com imigrantes é compreender as leis para orientá-los. Em sua avaliação, o Brasil continuará recebendo imigrantes nos próximos anos e precisa se preparar para acolhê-los. “Outro grande desafio é nos preocuparmos com o ser humano, porque às vezes somos tentados a ver os haitianos apenas como uma mão de obra barata. Temos de ter clareza de que eles sofreram bastante e de que vêm para o país com uma angústia muito grande, pois deixaram suas famílias no Haiti e precisam enviar dinheiro para elas. A imigração vai continuar fazendo parte da cultura brasileira”, conclui.

Rutemarque Crispim é pároco de Nossa Senhora das Dores, em Brasileia, no Acre.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Desde quando os haitianos estão migrando para o Acre e qual a situação dos que chegam a Brasileia?

Rutemarque Crispim –
Nós estamos acolhendo os haitianos que chegam ao Acre desde meados de 2010. Os primeiros imigrantes que chegaram ao país tinham muito medo, pois, antes de virem para o Brasil, foram para países como o Peru, onde não foram bem recebidos. No primeiro contato que tive com eles, na praça de Brasileia, percebi que estavam assustados porque não sabiam o que iria acontecer com eles, especialmente porque não conseguiam se comunicar em função do idioma. Alguns falam inglês, espanhol e francês, e poucos brasileiros conseguiam compreendê-los.
IHU On-Line – Como acontece a passagem dos imigrantes pelas fronteiras da Bolívia e do Peru?

Rutemarque Crispim –
Eles tentam migrar pelo Peru, mas como geralmente encontram a ponte fechada pela polícia, entram no Brasil pela rota boliviana, depois pegam um táxi e chegam ao país à noite, de maneira clandestina. Essa situação é bastante difícil, pois até chegarem ao Brasil alguns são assaltados e sofrem violência.

IHU On-Line – Quantos estão em Brasileia neste momento?

Rutemarque Crispim –
Atualmente poucos haitianos estão no Acre, pois eles chegam aqui e em seguida encaminham a documentação para permanecerem no país, e migram para outros estados, em busca de trabalho. Hoje, existem menos de 40 haitianos no Acre.

IHU On-Line – Como a população de Brasileia reage diante da chegada dos imigrantes?

Rutemarque Crispim –
A onda de imigração já teve várias fases. Como Brasileia faz divisa com a Bolívia, em 2008 a cidade acolheu os bolivianos refugiados políticos que foram expulsos de seu país. Brasileia sempre foi muito solidária no sentido de acolher o estrangeiro.

No entanto, quando os haitianos chegaram, a situação foi um pouco diferente, pois a população tinha medo e receio de serem contaminados por alguma doença, já que havia comentários de que os haitianos tinham cólera, HIV, bactérias. Queira ou não, a cultura brasileira é racista. De todo modo, foi possível acolher os imigrantes e as pessoas foram solidárias. A Igreja pediu ajuda e contribuição para as famílias, que doaram alimentos e roupas. Alguns haitianos chegaram sem nada, pois eram assaltados ao longo do caminho.

A juventude também foi bastante solidária; os jovens conversavam com os haitianos, principalmente aqueles que falam inglês. Eles queriam saber da cultura e dos problemas enfrentados no Haiti.

IHU On-Line – O governo do Acre distribui passagens para que os imigrantes possam ir para outros estados. Como o senhor avalia essa postura? O Acre tem condições de receber e abrigar os imigrantes ou um percentual deles?

Rutemarque Crispim –
O Acre não tem estrutura para mantê-los no estado, pois os hospitais e postos de saúde são muito limitados e não há locais para hospedá-los. Lembro que, quando nós começamos a preparar a alimentação deles na cozinha paroquial, ficávamos angustiados, porque passávamos um dia inteiro elaborando uma única refeição. Às vezes não tínhamos panelas para cozinhar o feijão. É desumano eles virem para o Brasil e não serem bem acolhidos. Então, a iniciativa do governo do Acre foi de grande valor para os haitianos e para algumas empresas que não tinham condições de pagar as passagens para seus futuros funcionários. Desde o início deste ano, as empresas que irão empregar os haitianos estão comprando as passagens para eles. Mandá-los para outros estados não é uma opção de repulsa nem de preconceito, mas uma forma de ajudá-los, porque eles querem trabalhar. A maioria deles quer mudar para São Paulo.

IHU On-Line – Como a Igreja tem se posicionado diante destas migrações e como tem atuado junto aos haitianos?

Rutemarque Crispim –
Assumi a paróquia no ano passado, no dia 2 de janeiro. Em seguida, recebi aproximadamente 300 haitianos. Eu sabia pouco em relação a refúgio, à documentação. Então, tive que estudar para compreender como deveria agir diante desta onda migratória, porque, às vezes, queremos ajudar, mas podemos fazer algo errado. A Cáritas Diocesana nos ajudou muito, além de Pe. Raimundo, pároco de uma cidade vizinha. Ainda estamos aprendendo a lidar com os imigrantes e refugiados que chegam ao estado.

A estrutura da Igreja é pequena, e ainda não temos a Pastoral da Mobilidade Humana, uma pastoral dos imigrantes; neste mês queremos fundá-la. Como sabemos, haitianos, africanos, quenianos, bolivianos vão continuar entrando no Brasil pela fronteira com a Bolívia, e temos de ter uma estrutura para ajudá-los.

IHU On-Line – Quais são os maiores desafios de atuar junto dos imigrantes?

Rutemarque Crispim –
O primeiro desafio é ter compreensão das leis, para saber como proceder com as pessoas que chegam ao Brasil.

Outro grande desafio é nos preocuparmos com o ser humano, porque às vezes somos tentados a ver os haitianos apenas como uma mão de obra barata. Temos de ter clareza de que eles sofreram bastante e de que vêm para o país com uma angustia muito grande, pois deixaram suas famílias no Haiti e precisam enviar dinheiro para elas. A imigração vai continuar fazendo parte da cultura brasileira. O Brasil é formado de imigrantes e continuará sendo. Por isso temos de amadurecer essa ideia de como acolhê-los da melhor maneira possível para crescermos como comunidade.
fonte: http://www.ihu.unisinos.br/

Revista país e filhos: um ano de capa EM BRANCO!!!!

(março de 2012) Esta é edição deste mês de março, 2012, da Revista Pais & Filhos, Editora Manchete. Feita em São Paulo, tem circulação e renome nacional nesta área de cuidado infantil, ao lado da Revista Crescer. Fofinho, não? Aliás, todas as crianças são fofíssimas, despertando aquela vontade de encher de cheiro aquela bolinha rosa, loira e de olhos azuis. Ops...como assim? É, então, amig@s. Algo muito simples: para a Revista Pais & Filhos, só os brancos nascem, e preferencialmente os brancos loiros e de olhos claros. Só as crianças brancas são fofinhas. Num país em que @s negr@s são, pelo menos, 51% da população, nenhuma fofinha criança negra - nenhumazinha - recebeu espaço de capa da Pais & Filhos no tempo de um ano inteiro. Mostro a vocês aqui, retrospectivamente, as capas de março de 2012 a março de 2011 - 13 edições completamente brancas. Para um país 100% branco talvez - reforço, talvez - isso não fosse tão indecente.
(fevereiro de 2012) Acontece que somos um país de maioria negra. Em alguns estados, a população negra é até pequena; em outros, predominante. Negras e negros de várias tonalidades, vários tipos corporais, diversas etnicidades; cabelo pixaim, enrolado, misturado, nariz mais largo ou mais fino, negritudes diversas que no entanto são reconhecidas socialmente pela sua matriz africana e toda a história que comporta o corpo negro. Essa história indesejável, para a matriz europeia, tem sido constantemente relegada ao esquecimento das páginas escritas - mas não é esquecida de nenhum modo: porque, se não nas páginas dos historiadores clássicos, no corpo das pessoas que a carrega. Por isso o corpo d@ negr@ é tão negado, invisibilizado. Porque conta uma história indesejável a uma ideologia hegemonicamente branca.
(janeiro de 2012). E se tem algo que a história negra carrega é acerca do fundamento da família. A família, nos sentidos afro-brasileiros (assim como nos povos nativos), é quem sustenta, congrega, fortalece, permite existir e resistir. A mãe que conduz os filhos, pelejando duramente para garantir suas vidas neste mundo sob leis humanas tão desumanas, é a mulher negra que centraliza a força da casa, do terreiro, da comunidade. Se não é mãe de sangue, é mãe-madrinha, mãe-de-santo, mãe-vó. A família, para os povos negros, tem a força da origem e da continuidade. É o espaço em si de guarnição - espiritual e social. Daí que se formam quilombos: numa casa ou numa rua, mães, tias, avós, irmãos, primos e primas se aquilombam, sem a classificação dicotômica de "família nuclear" e "família extensa", comum à família da cultura burguesa.
(edições de dezembro a setembro de 2011) Por que não temos imagens de crianças negras em um ano de edições da Revista Pais & Filhos? Porque pais, mães e filhos e filhas negr@s não interessam à revista. Ela simplesmente assume o padrão racista do branco desejável, negando terminantemente a negritude brasileira. O maior problema dessa postura racista é que perpetua a negação da família negra aos olhos da sociedade em geral. Primeiramente, impõe uma imagem familiar que exclui os pais e filhos negros; nega, portanto, às mães negras (porque às mães é destinada a revista, apesar do título) se sentirem parte de uma dimensão materna - o cuidado infantil. Consequentemente, nega aos bebês negros o direito de pertencerem a este universo dos anjinhos, dos serezinhos que devem receber cuidados e mimos especiais.
(edições de agosto a abril de 2011) Bem, está chegando a hora de preparar o almoço. Deixo vocês, leitoras e leitores, com estas imagens e algumas reflexões. Em um ano apenas de publicação, o que somente uma revista de maternagem e cuidado infantil foi capaz de semear? Não vejo bons frutos nisto. Abaixo, a mais nórdica das capas do universo desta breve pesquisa, publicada no mês de março de 2011.

fonte:http://encrespoenaoaliso.blogspot.com

07 Março 2012

RACISMO AMBIENTAL: carta do quilombo Rio dos Macacos

A comunidade quilombola de Rio dos Macacos, na Bahia, divulga Carta ao povo brasileiro, pedindo apoio para se manterem em seu território tradicional. Situada próximo a um condomínio da Marinha brasileira, a comunidade está sendo ameaçada de despejo pela força armada. Várias famílias vivem no local há mais de 100 anos. Confira documento divulgado e assinado pelo Movimento Negro Unificado e pela Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas.


Mais uma vez em nosso país, assistimos ao descumprimento dos direitos das comunidades quilombolas! O quilombo do Rio dos Macacos, na Bahia, tem data de desocupação marcada: 04/03/2012. Trata-se de pessoas que estão vivendo nestas terras há mais de cem anos, resistindo a diversas dificuldades impostas pela Marinha Brasileira. A Constituição garante, no artigo 68 das disposições transitórias, a demarcação, titulação e posse das terras ocupadas por remanescentes quilombolas, possibilitando a continuidade destas comunidades, que devem ser consideradas como a prova maior do símbolo de luta contra a escravidão, no passado, e o racismo, no presente. A Marinha do Brasil mais uma vez mostra que é uma instituição contrária aos negros, vide os exemplos da Revolta da Chibata, dentre outros. A desocupação do Quilombo de Rio dos Macacos, na Bahia, é um desrespeito aos tratados internacionais assinados pelo Brasil, a exemplo da 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, ocorrida em Durban, na África do Sul, em 2001 a Convenção 169 da OIT,  Guardadas as devidas diferenças, mais uma vez o crime cometido contra a comunidade do Pinheirinho vai se repetir. Nós, Quilombolas, Negros(as), militantes contra o racismo de todas as etnias organizados através da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas - nos posicionamos contra essa arbitrariedade, e chamamos a sociedade em geral , a todas as organizações do Movimento Social e Social Negro para protestar contra esse flagrante desrespeito aos quilombolas e ao povo brasileiro. Lembramos que a presidente Dilma não pode permitir que esta ação ocorra embaixo dos seus olhos, em local próximo ao escolhido por ela e outros Presidentes para passar suas férias. Não permitiremos que esta desocupação ocorra. Somos todos quilombolas, somos todos Quilombo do Rio dos Macacos!
Movimento Negro Unificado – GT de Lutas, Autônomo e Independente
Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas.

Entenda o caso:
Há mais de 100 anos, famílias quilombolas vivem na região do Rio dos Macacos. Elas são alvo constante de ameaças por parte da Marinha do Brasil, que possui um condomínio na área e querem expandi-lo, expulsando os quilombolas de lá. A Marinha já promoveu perseguições, destruição de casas no Quilombo, e impede a entrada e saída de pessoas no local. Até mesmo agentes do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), responsável pela titulação de áreas quilombolas, foram impedido de entrar no Rio dos Macacos.
Em 2009 a comunidade recebeu uma ordem de despejo, entretanto, com o reconhecimento da área quilombola, o prazo se estendeu até o dia 04/03/2012. No último 27 de fevereiro houve uma reunião para que a ordem de despejo fosse revogada por cinco meses, até a conclusão do relatório do Incra, porém não há certeza de que esse acordo será cumprido.

 ASSINA O ABAIXO ASSINADO PELA MANUTENÇÃO DA POSSE E TITULAÇÃO  DO QUILOMBO RIO DOS MACACOS-BA


http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N21495


CF 2012 O NEGRO e a saúde pública: LEGADO científico e tecnologico de povos africanos e da diáspora à MEDICINA!


O título de “Pai da Medicina” atribuído ao grego Hipócrates corresponde a mais um equívoco cometido pelo domínio europeu na descrição dos processos históricos dos outros povos. A condição de Pai da Medicina seria mais apropriada ao cientista e clínico egípcio Imhontep, que quase três mil anos antes de Cristo praticava quase todas as técnicas básicas da medicina. O Egito possuía uma ciência médica e farmacológica sistematizada e muito desenvolvida, cujas recentes descobertas mostram que os cientistas egípcios tiveram a capacidade de promover cirurgias complexas como as cerebrais, de catarata ou o engessamento de membros com ossos quebrados, conhecer substâncias cicatrizantes e anestésicos.
O avanço da medicina foi impulsionado, principalmente, pelo desenvolvimento da técnica de mumificação que consistia em um conjunto de procedimentos químicos e físicos que visavam à preservação dos corpos, já que o sistema religioso no Egito pregava que, para se alcançar a vida eterna, a alma dos mortos precisava de um corpo.

 A mumificação permitiu o acesso ao interior do corpo humano e, com isso, os egípcios passaram a conhecer o sistema circulatório, o funcionamento de cada órgão e a relação entre eles. O pioneirismo dos egípcios na medicina em relação aos outros povos deve-se ao fato de que muitos povos da época tinham a crença de que a abertura dos corpos dos mortos fosse um desrespeito ou achavam que as almas escapariam dos corpos (como pensavam os sumérios e assírios). Essas conquistas da medicina egípcia estão registradas em “ papiros médicos” encontrados em sítios arqueológicos no Egito. Esses documentos descreviam com detalhes procedi- mentos médicos - “O batimento cardíaco deve ser medido no pulso ou na garganta” (texto extraído de papiro datado de 1550 a.C.).
Outra característica da medicina desenvolvida pelos egípcios foi a especialização que possibilitou o desenvolvimento, por exemplo, da odontologia que, naquela época, já usava brocas e praticava os procedimentos de colocação de prótese e drenagem de abscessos.
Os métodos contraceptivos também já eram do conhecimento dos egípcios. O papiro Ebers relata que “para permitir à mulher cessar de conceber por um, dois ou três anos:
partes iguais de acácia, caroba e tâmaras; moer junto com um henu de mel, um emplastro é molhado nele e colocado em sua carne.” Um “henu” equivale a cerca de 450 mililitros. Até a gravidez poderia ser prevista com testes de urina.
Os relatos acima demonstram o potencial de um povo negro africano. E para que não tenhamos dúvidas a respeito da origem desse povo tão desenvolvido vejamos o de- poimento do grego Heródoto que é tido como o “Pai da História”, no capítulo XXII, do II livro da sua obra que fala da origem do Nilo, ele diz que na região por onde este corre é “o calor tão intenso que torna os homens negros”. Esse comentário é importante para a afirmação dos povos negros, enquanto capazes de edificar uma sociedade como a egípcia e desqualificar algumas produções Holliwoodianas que embranqueciam a origem dos africanos antigos a ponto de inserir com bastante naturalidade a figura de Elizabete Taylor e outros artistas brancos como artistas principais interpretando egípcios “legítimos”, enquanto, aos negros era reservado o papel de figurante. O que dava a impressão de serem resultado da migrações de países africanos vizinhos.
 Reforçando a tese do povoamento de uma suposta raça branca que teria fundado o Egito e, portanto, tributária de todas as conquistas científicas e tecnológicas desse país compreende Uganda, testemunhou e registrou uma cesariana feita por médicos do povo Banyoro, demonstrando profundo conhecimento dos conceitos e técnicas de assepsia, anestesia, hemostasia, cauterização, e outros. Essa descrição demonstra o equívoco que é classificar como magia ou curandeirismo o conhecimento acumulado por esses povos afri- canos. O tratamento desrespeitoso das produções cinematográficas aliado à paixão pelo exótico de alguns historiadores europeus prejudicou, em muito, a concepção, pelo público, da existência de uma medicina objetiva, científica e eficaz na África.

O avanço no campo da medicina também foi constatado em outras partes do conti- nente africano. Um exemplo bastante interessante é mencionado por VAN SERTIMA (1983) , segundo ele, R.W.Felkin, cirurgião inglês que visitava em 1879 a região africana que hoje .
Contribuição dos povos africanos para o conhecimento científico e tecnológico universal - Lázaro Cunha


Mídia omite que maioria aprova cotas “raciais” nas universidades

Muitos se surpreenderão com este artigo já a partir do título porque o que revela vai de encontro à luta da elite branca brasileira e da mídia que controla para impedirem uma política pública que está revertendo situações esdrúxulas como a de médicos negros serem raríssimos no país, praticamente inexistindo em regiões como São Paulo.

Por Eduardo Guimarães, em seu blog
As cotas para negros nas universidades são uma “política afirmativa” de inspiração norte-americana que está fazendo pela maioria dos brasileiros – que é negra ou descendente de negros – o mesmo que fez nos Estados Unidos, país em que negros ocupam muito mais cargos e profissões de maior prestígio e melhor remunerados.
Sempre aparece alguém que se surpreende com a informação de que a maioria dos brasileiros é negra porque este povo foi acostumado pela mídia a pensar que os brancos são maioria no Brasil, já que a televisão distorce a proporção de negros em novelas, telejornais e na propaganda, relegando-os ao esporte e à música.
Vale notar que é provável que os negros sejam muitos mais do que apenas 50%, pois alguns, para se livrarem do estigma da “raça” que faz o negro ganhar salários menores e ser preterido em empregos, declaram-se brancos. Como o Censo do IBGE se baseia em autodeclaração de etnia pelos entrevistados, a população negra deve ser ainda maior.
Esse fato explica outra realidade. Devido aos racistas se valerem de alguns poucos negros que superaram a discriminação, chegaram aos estratos de maior renda e passaram a defender pontos de vista do entorno social branco sobre questões como cotas “raciais” nas universidades, a impressão que fica é que nem os negros querem essa política pública, quando, em verdade, é exatamente o oposto.
A maioria esmagadora dos negros, para não dizer a quase totalidade deles, apóia as cotas “raciais” em universidades. E isso não é uma opinião, mas um fato apurado por algumas das raras pesquisas de opinião sobre o assunto que mostram que a maioria da população brasileira, que é negra, apóia as cotas com a colaboração de reduzido contingente de brancos.
O instituto de pesquisas de opinião Datafolha sondou a visão da sociedade sobre a política afirmativa de cotas para negros nas universidades durante raras oportunidades na década passada e constatou essa realidade que, aliás, é um dos fatores que sustentaram o apoio da maioria dos brasileiros ao PT ao menos nas últimas duas eleições presidenciais.
Pesquisas Datafolha levadas a campo em 2006 e 2008 detectaram, respectivamente, que 65% e 62% dos brasileiros apoiam cotas para negros em universidades públicas apesar de considerarem que tal política pública é humilhante e geradora de reações racistas, o que não impede essa maioria de considerar que cotas são a única forma de um contingente significativo de negros chegar ao ensino superior.
Alguns poucos negros adotaram os interesses dos brancos ao serem aceitos em seus círculos sociais após conseguirem cursar o ensino superior, formarem-se e ganharem dinheiro. E a mídia, que serve à elite branca que quer reservar vagas nas universitárias públicas (e gratuitas) aos seus filhos, instrumentaliza esses que esqueceram as origens.